Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados – Coda BR :: 1º Dia

Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados – Coda BR :: 1º Dia

Por Daniel Araújo Siqueira

Este final de semana (10/11 e 11/11) vim a SP para acompanhar a 3ª Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados, que acontece na ESPM da Vila Mariana. A programação do evento foi muito bem elaborada e decidir entre o que assistir foi um tanto quanto difícil. Fugindo um pouco do convencional, algumas das atividades eram mais práticas e permitiam aos participantes colocar a mão na massa em tempo real e em exemplos reais.

Mas, por motivos de afinidade profissional, me ative a uma trilha com uma pegada mais analítica.

Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados - Coda BR :: 1º Dia

Logo na abertura do evento, todos puderam acompanhar a apresentação da Fernanda Viégas e do Alberto Cairo, sobre visualização de dados. Fernanda trouxe alguns exemplos de como o data viz pode auxiliar projetos de machine learning. Já Alberto, trouxe o mantra “Visualização de dados pode ser tornar uma linguagem universal.”.

Em meu histórico tenho muita segurança para afirmar que data viz, ainda é um dos maiores desafios de quem trabalha com dados, relatórios e dashboards. Principalmente, porque entender os dados ainda é uma skill muito restrita para grande parte da população. Entretanto a visualização destes dados pode, e deve, se tornar uma linguagem universal com o intuito de facilitar o entendimento das informações.

Transmitir a informação de forma clara e objetiva sempre foi um grande desafio.

Seguindo nessa linha, assisti logo após o almoço a palestra do Daniel Waisberg (Google): “Mostre, não conte: o que faz uma visualização de dados efetiva?”

Daniel trouxe um velho mantra do marketing: Devemos entregar o conteúdo certo para a pessoa certa no momento certo. Acredito que todos que já trabalharam com comunicação ouviram isso em algum momento. Mas, trazendo para a realidade deste final de semana, Waisberg coloca que quando trabalhamos com dados a frase correta seria:

“O gráfico certo com o design certo para o propósito certo”

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A abordagem dividida entre estas três partes (gráfico certo, design certo e propósito certo), trouxe alguns exemplos como o livro de Stephen Few, Show Me the Numbers. Além do conceito de Data Ink de Tufte, que deveria ser um mantra para quem trabalha com relatórios e informações para terceiros. Quando falamos de dashboards então, nem se fala.

Fechando esta sequência, fui assistir a palestra da Amanda Rossi: “Sexy sem ser vulgar: como criar narrativas guiadas por dados atraentes para sua audiência.”

A palestra teve um cunho bem jornalístico, mas sempre podemos adaptar isso a cada realidade de quem trabalha com dados. Amanda trouxe um conceito interessante que chamou de Edutainer.

Edutainer = Educator + Entertainer

Além de educar, devemos entreter as pessoas ao apresentar os dados.Para suportar sua tese, Amanda apresentou Hans Rosling, que foi um médico e estatístico, que resolveu dedicar sua vida a mostrar as pessoas os dados de uma forma diferente. O vídeo abaixo é sensacional e mostra um pouco disso.

Voltando a palestra, que se conectou diretamente com a palestra do Daniel, há de se entender quem é o público alvo antes de qualquer coisa. Pois, assim, e somente assim, vamos conseguir entregar a informação da maneira correta.

Nossas histórias não devem ser sobre números e sim sobre pessoas.

A visualização e uma boa narrativa para apresentação dos dados, tem um peso enorme neste trabalho.

Em nada adianta encontrarmos os dados, limparmos e classificarmos as informações, se não vamos conseguir proporcionar bons insights.

Quebrando um pouco essa sequência, assisti também a prática do Max Stabile, do IBPAD, com o uso de Iramuteq para análise de textos. Como eu já havia utilizado o Iramuteq para mapear os discursos dos pré-candidatos ao governo de SC nas redes sociais, não tive dificuldades em acompanhar.

Leia também “Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados – Coda BR :: 2º Dia”
Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados - Coda BR :: 1º Dia

Mais que tag clouds, o Iramuteq incorpora estatísticas, baseadas em R, e traz informações muito interessantes sobre corpus linguísticos.

O estudo do IBPAD sobre Os discursos dos Deputados na sessão de votação do Impeachment. traz uma aplicação muito interessante da ferramenta. Para fechar o dia, tivemos um excelente painel com Rosental Alves mediando Sarah Cohen, Steffen Kühne e Jeremy Merrill. A discussão girou em torno de como construir um projeto quando não se possui dados disponíveis. Cada um apresentou um projeto que demandou um esforço diferente para que as informações pudessem ser coletadas e apresentadas de forma consistente.

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Jeremy Merrill é responsável pelo ProPublica, que criou uma ferramenta capaz de coletar dados inéditos, como anúncios políticos no Facebook, e classificar as prioridades dos Congressistas americanos usando aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural. Para mim, um dos papos mais interessantes, visto o timing da discussão aqui no Brasil.

Um dia de muito aprendizado e troca de experiências! Muitos cases, projetos e profissionais que trabalham duro e com muita dedicação em um mercado pouco glamouroso e com muita dificuldade de operacionalização.

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